
| Mário Luiz Barbato (Rio de Janeiro 11 de julho de 1925 - Rio de Janeiro, 27 de abril de 2009) comandou programas de rádio, criando um estilo de comunicação seguido até os dias atuais. Ele também foi diretor de programação da Rádio Globo, suscedeu aos irmãos Raul e Luis Brunini na direção-geral da Sistema Globo de Rádio, a partir dos anos 70, quando iniciou as mudanças que a tornaram padrão de sucesso por quase três décadas, de onde saiu em 94 e dirigiu também a Rádio Tupi. |
Torcedor do América, foi na
Rádio Mauá com o narrador
Orlando Batista que
Mário Luiz, fã de Cesar Ladeira, um dos maiores locutores da época, teve sua primeira chance aos 22 anos.
Orlando gostou da sua voz e o deixou ler a Resenha do programa.
A
Rádio Tupi do Rio de Janeiro era uma emissora respeitadíssima nos anos 40 pelo cast que possuía e segurava o 2° lugar.
Carlos Frias, um dos grandes nomes da
Rádio Tupi o ouviu e lhe fez uma proposta, imediatamente aceita. E foi na
Rádio Tupi que conheceu
Doalcey Bueno de Camargo que por ter um irmão trabalhando na
Rádio Globo (o Wolney Camargo) acabou o encaminhando pra lá.
A
Rádio Globo ficava na Avenida Rio Branco, no Edifício Sul-Rio-Grandense e
Mário Luiz de manhã bem cedo, ajudava na produção do programa de
Ginástica ao vivo. Eram os anos 50 e
Mário Luiz ganhou a oportunidade de trabalhar com o locutor
Reinaldo Dias Lemes num programa de informação onde os dois liam notícias, até o dia em que o experiente
Reinaldo tropeçou no texto, se engasgou e riu com um nome japonês. Resultado? Injustamente,
Mário Luiz foi demitido.
O diretor artístico da época e homem de confiança do
Dr. Roberto Marinho,
Henrique Tavares, informado que a risada no programa não era de
Mário Luiz e sim do outro locutor e corrigiu o erro. Recontratado, ganhou o programa e passou a vender patrocínios.
Mário Luiz, ainda muito novo, já sonhava com o horário nobre, a programação noturna da Rádio e a chance veio quando
Jonas Garret foi acusado de
fazer jabá (cobrar de artistas para tocar música) no programa das 10 da noite, o
Clube do Toca Disco, isso irritou profundamente
Luis Brunini, o grande diretor da época. No
Clube do Toca Disco Mário Luiz encontrou uma forma de prestigiar as gravadoras, conseguindo, inclusive bons patrocínios para a Rádio.
Chegaram os anos 60 e a
Rádio Nacional ainda mandava na audiência, seguida ao longe pela
Mayrink Veiga e
Tupi, a
Rádio Globo ficava ali pelo sétimo lugar. Começo dos anos 60 e
Mauricio Quadros dirigia talentosamente a programação mas era desorganizado, o contrario de
Mário Luiz, que, ao cobrir as férias de
Maurício, organizou a casa e agradou geral. Na volta, o próprio diretor não quis mais continuar.
Paralelamente a
Rádio Globo, fez parte da primeira equipe da
TV Globo Canal 4 do Rio de Janeiro e já no dia 1º de maio de 1965,
Mário Luiz Barbato já estava na grade do final de semana com
TeveFone, às 16 horas, junto de
Luiz de Carvalho e Jonas Garret.

| Mal começou e já foi mexendo com o maior nome da Rádio Globo na época, o Luiz de Carvalho (durante muitos anos um ficou brigado com o outro). Mais uma vez Mário Luiz foi afastado do cargo, para ser efetivado, com moral e autonomia a partir de 1966, por Luis Brunini. |
Mário Luiz implantou na
Rádio Globo, por sugestão do publicitário
Miguel Gustavo que foi o autor do Hino da Seleção, o tripé
Música, Esporte e Notícia. Começava ali uma época de ouro para
Rádio Globo. O rádio teatro e de auditório perdia espaço para um novo jeito, uma nova visão, nova abordagem, comunicação coloquial, rádio diálogo e o comunicador amigo. Prestação de serviço, jornalismo forte e uma nova roupagem sonora. As vinhetas no estilo das americanas, algumas gravadas por eles e terminadas aqui.
Mário Luiz exigiu o noticiário de hora em hora como era feito na
Rádio Nacional no Repórter Esso. Agora
O Globo no Ar nas horas cheias e não se permitia atraso.
Pouco depois,
O Repórter Esso migrou para a
Rádio Globo e a Esso contratou
Roberto Figueiredo como locutor oficial. Nessa época a
Rádio Globo tinha entre os seus locutores noticiaristas profissionais como
Arsênio Atas, Berto Filho, Carlos Noronha, Luciano Alves, Sérgio Moraes, Volney Silva, entre outras belas vozes. Entre os comunicadores:
Luis de Carvalho, Mário Luiz, Roberto Muniz, Haroldo de Andrade (recém chegado), Paulo Moreno, Jonas Garret, Adelzon Alves (recém chegado do Paraná) e Paulo Diniz, o locutor de Recife que virou cantor de sucesso.
Com a saída de Luis de Carvalho para a Rádio Clube do Brasil, Mário Luiz efetivou Haroldo de Andrade das 9 ao meio-dia e assumiu ele mesmo o Chá das 3, que ganhou por motivos de justiça um novo nome, agora era o Nosso Chá. |  |
Waldir Amaral comandava o Departamento de Esporte e o garotinho
José Carlos Araújo, começava na
Globo. A
Rádio Globo comandava a audiência em 1180 Khz e
Mário Luiz cada vez mais prestigiado como diretor e brilhando como comunicador. Seu Programa,
Nosso Chá, tinha um quadro de piano, onde as atrações eram ao vivo e por lá passaram grandes nomes, como Geraldo Vandre e Sérgio Ricardo. Outro quadro do
Nosso Chá de
Mário Luiz era o
Boa tarde senhorita, que tinha a colaboração de na interpretação de
Carlos Noronha.
Chegaram os anos 1970. Brasil Campeão Mundial de Futebol e ano de grandes mudanças na
Rádio Globo com as contratações de
Jorge Cury e João Saldanha, vindos da
Rádio Nacional, para o esporte e com novos comunicadores surgindo.

| Valdir Vieira começou no Show da Noite para concorrer com Paulo Giovanni na Tupi. Giovanni, apareceu bem, quando Dudu da Loteca ao aceitar uma sugestão do programa na Tupi, ganhou sozinho na Loteria Esportiva. A Globo contratou Paulo Giovanni e o colocou a tarde, para ser o Comunicador simpatia do Rádio Carioca. Valdir Vieira também a tarde e Roberto Figueiredo que, com o fim do Repórter Esso, se torna comunicador e assume o Show da Noite. |
Mudanças todas feitas por
Mário Luiz.
Luciano Alves acordava o Rio,
Haroldo de Andrade brilhava de manhã e
Adelzon Alves era definitivamente o
Amigo da Madrugada. A
Globo do Rio ainda tinha no timaço de
Mário Luiz, Moacir Bastos com seu jeito caipira,
Sidney Teixeira, o
Cidinho em alta velocidade e
Edmo Zarif como voz padrão.
Em 26 de Outubro de 1976 a
Rádio Globo mudava de frequência e passava dos 1.180 para 1220, canal livre internacional e assim a
Rádio Globo alcança o Brasil inteiro a partir das 5 da tarde. A Rádio feita por
Mário Luiz era poderosa e a audiência indiscutível.
Padrão de voz e de qualidade dos profissionais, vinhetas geniais, noticiaristas fabulosos como:
Guilherme de Sousa, Izaac Zaltman, Luiz de França, José Lino, Carlos Bianchini, Dirceu Rabelo, Oduvaldo Silva, Léo Batista, Reinaldo Costa e outros. Depois vieram
Gilberto Lima, Antonio Leal e o próprio
Zarife virando comunicador.
Final dos anos 70, cresce mais e mais o poder de
Mário Luiz no
Sistema Globo de Rádio, respeitado, conhecido e consagrado é chamado para salvar uma das empresas do
Dr. Roberto Marinho. A
Mundial 860 e quem conhece essa história pode dizer o quanto, o homem que inventou o Rádio moderno. A
Super Jovem Mundial foi a grande escola dos FMs, linguagem ousada e inovadora. Um sucesso extraordinário!
Em 1989 recebeu o título de
Benemérito do Estado do Rio de Janeiro:
"Faço saber que, tendo em vista a aprovação na Sessão de 05 de abril de 1989 do Projeto de Resolução nº 305, de 1988, de autoria do Deputado Átila Nunes, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro resolve, e eu, Presidente, promulgo a seguinte
RESOLUÇÃO Nº 302 DE 1989
CONCEDE O TÍTULO DE BENEMÉRITO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO AO RADIALISTA MÁRIO LUIZ BARBATO"
No rastro da reorganização do
Sistema Globo de Rádio (iniciada na verdade em 1985)
Mário Luiz deixou
Rádio Globo, em 1994.
Ainda teve uma meritosa e brilhante passagem pela
Rádio Tupi.
Faleceu no dia 27/04/2009, aos 83 anos vítima de infarto.
Fontes: Paulo Francisco
http://www.showdoradio.com.br/marioluiz.php , Depoimento de Luiz de Carvalho e Mário Luiz Barbato ao Memória Globo; MEMÓRIA GLOBO. Dicionário da TV Globo, v.1: programas de dramaturgia & entretenimento. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003; “Hoje na TV”, In: O Globo, 1965 a 1967], Revista Billboard